terça-feira, 4 de março de 2008

Manual do Mineiro da Luz


Paulo Coelho, o escritor que mais vende livros no Brasil há cerca de dez anos, passou em sua jornada espiritual por diversas provações, onde adquiriu muito conhecimento, inclusive de supostas técnicas de magia e alquimia. Ele publicou muitas destas lições e ensinamentos em seu livro Manual do Guerreiro da Luz, pois de que vale o saber sem repassa-lo à alguém? O livro ensina uma pessoa do bem a lutar por um mundo melhor e tornar-se uma pessoa cada vez mais do bem.

Bom, também eu passei por várias provações em uma empresa de extração de carvão mineral para poder alcançar um nível mais elevado de percepção mineradora, para poder entender melhor como a mina funciona e conhecer os atalhos de uma convivência harmoniosa e produtiva no trabalho. Infelizmente, minha visível superioridade técnico-teórico-produtiva na empresa não foi vista com bons olhos por meus superiores hierárquicos, o que culminou em minha demissão, mas isso não vem ao caso. O importante é que esta experiência me levou a desenvolver um manual que deve ser seguido por todo trabalhador de extração de carvão: o Manual do Mineiro da Luz. Descrevo aqui os principais pontos do livro, como um aperitivo.

  • Todo Mineiro da Luz deve lavar-se lentamente para que o carvão, que ao fim de um dia de trabalho consegue penetrar nos cantos (cantos, não orifícios) mais obscuros do corpo, seja totalmente removido e devolvido à natureza, retomando seu ciclo natural.
  • Ele nunca deixa sua roupa e comida expostos, pois sabe que vestir uma blusa com dezenas de nós é quase impossível. Aprendeu também, da pior maneira, que graxa no meio do pão causa imenso dano ao paladar.
  • Vocabulário do Mineiro da Luz:

Em Acha: Cansado, exaurido, estafado.

Tauba: Tábua.

Chilame: Resíduo líquido de carvão não-beneficiado.

Muu: Corno, ser do sexo masculino traído pela mulher.

  • Um Mineiro da Luz sabe que o banheiro é um conceito ultrapassado, e que qualquer canto vagamente escuro da mina é digno de receber o fruto de nossas necessidades fisiológicas.
Por fim, o Mineiro manuseia sua marreta com a perícia de um samurai, veste sua bota e seu capacete com a paixão de um kamikaze, e usa esse manual com a sabedoria e humildade de quem sabe que sempre há algo o que aprender.

4 comentários:

angelo disse...

sempre...
pode cre agora entendi essa do emprego na mina...
rsss...
ate mais zézu

Kelvim Vargas Inácio disse...

Gostei do texto. É engraçado... Acho que você deveria aprofundar os estudos sobre o assunto e escrever um livro. Talvez, se você conseguisse a proeza de vendê-lo para todos os mineiros do país, você ficaria rico! Ia ser legal! Heh

angelo disse...

O Zé escrevendo um livro, sei lá, pode ser que dê certo. Quando ele ia escrever as Cronicas de Bob o Catador, todo mundo tava gostando. é isso apoio para o livro de Zé Gota "Como viver na mina, sem perder a cabeça". abraços

Marco Vicente disse...

cara... concordo com a opinião do Kelvim, e tenho algo a dizer sobre as necessidades fisiológicas: é justo que o carvão existente na bexiga também volte ao ciclo natural... hehe...

abração.