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quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Interpretações



Andei escrevendo uma letra para uma música minha, e debatendo com a @marianaa_lm (já perceberam que não se cita mais uma pessoa, mas o seu avatar no tuits?), nossa assessora para assuntos poético-musicais, ela discorria sobre minha letra quando me dei conta: ela buscava coisas na letra que eu mesmo não tinha percebido.
Que Diabos!
Minhas convicções a respeito do que estava escrevendo lá se perdeu pois, sem o sentido que eu queria dar a música, de que valia escrevê-la? Se não consigo sequer direcionar a interpretação que gostaria que as pessoas tivessem, não se torna a poesia inútil?
Não.
Essa é justamente a beleza da poesia. O fato de cada um lê-la a sua maneira, com seus olhos, sua mente e sua vivência, o que cria para cada pessoa um entendimento diferente, sensações diferentes e emoções diferentes.
Muitas músicas já me deixaram assim, até descobrir (ou não) o sentido verdadeiro delas. Por exemplo, um trecho da música “A Little Peace of Heaven”, da banda Avanged Sevenfold, fala “Antes que as possibilidades virassem verdade eu tirei as possibilidades de você”. Eu entendia como uma pessoa que tivesse conquistado a outra, antes que ela pudesse pensar direito. Vendo o clipe da música, descobre-se que se trata de uma pessoa que mata a outra antes que ela lhe dê o fora.
Uma do Raul Seixas que faz muito sentido nos tempos de catástrofes naturais de hoje, mas que, não houvessem estas desgraças, talvez não fizesse tanto sentido, que é: “Buliram muito com o planeta. O planeta como um cachorro eu vejo. Se ele já não ‘güenta’ mais as pulgas se livra delas no sacolejo”.
Há outras realmente sem sentido, como, acho que já citei em texto anterior, essa: “Mas o caracará foi dizer pra rosa que a luz dos cristais vem da lua nova e dos girassóis”. Hã? WTF??? Alguém consegue me explicar essa?
Bueno, vai aqui a letra que gerou toda essa discussão, talvez vocês achem uma nova direção interpretativa pra ela.

Onde foram nossos risos que jogávamos ao ar?
As reflexões ‘in vitro’ que passamos a aceitar
Onde o santo e o bandido formam bela dupla, um par.
O que foi este gemido, dar prazer ou torturar?
O que foi?

Qual o laudo que define em que lado vai estar
A defesa que reprime o terror e a nossa paz?
Quem é nosso Stephen King? Quem irá nos assustar?
Quando foi que fomos livres pra viver e pra pensar?
Quando foi?

Cada um com seu umbigo.
Cada forma de poder.
Cada droga um sentido
Pra ganhar ou pra perder.

Qual sono nos redime, da miséria de chegar?
Havia de ser sublime nossa raiva elementar.
Qual é mesmo aquele filme que assistimos sem chorar?
Quando foi que Chico disse “O que será o que será”?
O tempo se foi...


Cada um com seu umbigo.
Cada forma de poder.
Cada droga um sentido
Pra ganhar ou pra perder.

Então, ela disse que achou alguma culpa no primeiro verso, que lendo depois também achei, mas não tinha antes dela falar.
O segundo verso fala de algo que esteve um tempo atrás na mídia, vejam se vocês percebem...
O terceiro, não faço absolutamente a idéia do que eu quis dizer.
Já o refrão é a parte óbvia da música.
E você? O que entenderam? Talvez achem mais um sentimento incrustado nessas veias poética...

Ah, e não tive tempo pra revisar este texto, então, se virem algum erro, me avisem...