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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Muitas vezes Lela você fala...



Vou contar aqui hoje algo que ninguém, nem mesmo minha esposa, ou minha família sabem. Tenho uma amiga chama Lela. Imaginária, lógico. Lela, tem 1, 71 m de altura, pesa 60 quilos, usa óculos tipo PC Siqueira e tem cabelos negros escorridos até o meio das costas. Suas sardinhas contrastam desarmonicamente (existe esta palavra?) com seu aparelho reluzente e protuberante. Pensando agora, não preciso muito descrevê-la: Lela é Ugly Beth. Mas é a Lela.
Lela tem um belo ouvido. Não falei orelha, falei ouvido. Ouve como ninguém, fala pouco, não discorda muito do que penso, se bem que às vezes desconfio do seu sorrisinho sarcástico. Acho que ela me acha um tanto inocente em minhas colocações. Mas isso ela não me diz. Talvez seja esse o seu único defeito (tirando ser feia): a falta de sinceridade. Não é sincera por medo que eu procure um analista e a faça desaparecer, sei lá.
Mas estou fugindo do assunto. O que quero dizer é que, quando vejo algum fato, ou leio algo, gosto de logo contar pra ela. Por exemplo, dia desses li um trecho do Código de ética dos servidores públicos que me deu uma enorme vontade de contar pra ela. Eis:
“Toda pessoa tem direito à verdade. O servidor não pode omiti-la ou falseá-la, ainda que contrária aos interesses da própria pessoa interessada ou da Administração Pública. Nenhum Estado pode crescer ou estabilizar-se sobre o poder corruptivo do hábito do erro, da opressão ou da mentira, que sempre aniquilam até mesmo a dignidade humana quanto mais a de uma Nação”.
Na hora chamei ela e comecei a contar:
- Bah, Lela...
Outro dia me peguei dando uma lida na Constituição, e ela falava algo sobre o salário mínimo muito interessante, dizia que ele devia prover ao trabalhador todas as suas necessidades e de sua família referentes à moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social. Sabendo que o salário mínimo é no momento de R$ 510,00, pensei:
- Bah, Lela...
Outro dia ouvi uma música no rádio cuja letra me fascinou, e logo lembrei da minha amiga. Era o seguinte:
“O simples torna ela demais
Quinta o shopping, domingo os pais
Tente entender por que ainda ligo pra você
Ela só me diz não, pra mim já tornou padrão e faz por querer
Te vejo na minha Vai ser só minha
Falo tão sério, é sério você vai
Vai ser só minha Vem ser só minha
Vai ser você
Aposto um beijo que você me quer”.
- Bah, Lela...
Assim acontece com grande frequência. Vejo as pessoas furando fila e reclamando da corrupção. Bah, Lela. Vejo “amamos vocês” jogados aos quatro ventos. Bah, Lela. Vejo jogadores de futebol fazendo juras de amor aos times. Bah, Lela. Vejo defensores da música brasileira fazendo odes a Carlinhos Brown. Bah, Lela, será que o um representante da música nacional usaria Brown no nome?
E, como eu, acho que cada um tem suas Lelas imaginárias.
Em que situações vocês dizem: Bah, Lela?