"Diante do medo um sorriso aeróbico Nas bochechas a caimbra de uma alegria incompleta Nada como um sorriso burro e paranóico Para não perceber a velocidade terrível da queda" (Lobão)
quinta-feira, 24 de abril de 2008
Notícia Em L.M.
“O João? Está bem, quebrou só dois dedos.”
Maria, por sua vez, falou pra Cris:
“Não foi nada não, quebrou só o braço...”
A Cris falou pro André:
“Fratura exposta, na perna e no braço, perdeu muito sangue, sabe como é...”
André pra Tina:
“Hi, o João? Tá na UTI, traumatismo craniano!”
Tina pro Paulo:
“Morte cerebral. Vão doar os órgãos e...”
Assim a notícia chegou ao ouvido da mãe do João:
“Eu lamento dona Joana, mas aconteceu.”
Doze horas depois, de alta, João chega em casa.
“Oi Mãe.”
“Oi querido... já comprei um caixão bem lindo, o velório é amanhã.”
“Que velório mãe?”
“O seu!”
“Mas mãe, eu não morri!”
“Não tente me consolar, meu filho...”
terça-feira, 4 de março de 2008
Manual do Mineiro da Luz

Paulo Coelho, o escritor que mais vende livros no Brasil há cerca de dez anos, passou em sua jornada espiritual por diversas provações, onde adquiriu muito conhecimento, inclusive de supostas técnicas de magia e alquimia. Ele publicou muitas destas lições e ensinamentos em seu livro Manual do Guerreiro da Luz, pois de que vale o saber sem repassa-lo à alguém? O livro ensina uma pessoa do bem a lutar por um mundo melhor e tornar-se uma pessoa cada vez mais do bem.
Bom, também eu passei por várias provações em uma empresa de extração de carvão mineral para poder alcançar um nível mais elevado de percepção mineradora, para poder entender melhor como a mina funciona e conhecer os atalhos de uma convivência harmoniosa e produtiva no trabalho. Infelizmente, minha visível superioridade técnico-teórico-produtiva na empresa não foi vista com bons olhos por meus superiores hierárquicos, o que culminou em minha demissão, mas isso não vem ao caso. O importante é que esta experiência me levou a desenvolver um manual que deve ser seguido por todo trabalhador de extração de carvão: o Manual do Mineiro da Luz. Descrevo aqui os principais pontos do livro, como um aperitivo.
- Todo Mineiro da Luz deve lavar-se lentamente para que o carvão, que ao fim de um dia de trabalho consegue penetrar nos cantos (cantos, não orifícios) mais obscuros do corpo, seja totalmente removido e devolvido à natureza, retomando seu ciclo natural.
- Ele nunca deixa sua roupa e comida expostos, pois sabe que vestir uma blusa com dezenas de nós é quase impossível. Aprendeu também, da pior maneira, que graxa no meio do pão causa imenso dano ao paladar.
- Vocabulário do Mineiro da Luz:
Em Acha: Cansado, exaurido, estafado.
Tauba: Tábua.
Chilame: Resíduo líquido de carvão não-beneficiado.
Muu: Corno, ser do sexo masculino traído pela mulher.
- Um Mineiro da Luz sabe que o banheiro é um conceito ultrapassado, e que qualquer canto vagamente escuro da mina é digno de receber o fruto de nossas necessidades fisiológicas.