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segunda-feira, 8 de setembro de 2008

EMOlândia



Os Emos estão dominando o mundo. Cérebro, se soubesse que isso aconteceria, teria formado junto com o Pink a primeira banda emo.
Ontem fui ao shopping tomar um chope chapado chupando chup-chup, e, quando cheguei, confesso que fiquei amedrontado: a praça de alimentação era monopólio emo. Conversei com minha namorada e fomos embora, por que algo pudesse entrar em meu estômago sem efeitos colaterais com aquele cheiro de laquê firmador de franjas.
Outro sintoma claro é o nosso próprio idioma: os casos de Emo-rróida vêm se multiplicando. Ninguém mais sangra, todos têm Emo-rragia. Não posso mais ficar emocionado, por que isso agora é uma exclusividade emo. Só eles podem chorar cm propriedade, como quem dedicou a vida toda a chorar com estilo, com toda a pompa, e nós somos não-iniciados.
O cenário musical também vem sendo facilmente dominado por eles. Mas o que ocorre é um fenômeno estranho: eles têm vergonha de sua própria condição, e nenhuma das bandas emo (Fresno, NX Zero, e eu diria até CPM 22) gostam de ser rotuladas como tal. Queriam ser chamadas do que, de bandas de rock progressivo, alternative rock, punk rock? Os punks teriam vergonha de ter influenciado este tipo de “cultura”.
Sim, digo “cultura” entre parênteses por que é um grupo de pessoas sem ideologia nenhuma. Nenhuma!!! Alguns dirão que o que acontece é que eu não conheço a forma de pensar deles. Pois bem. Postei uma vez um tópico numa comunidade chamada “Sou emo, e dai?”, onde eu afirmava isso, que eles são pessoas sem ideologia, guiadas pela moda tosca do momento, e que se alguém soubesse me explicar no que eles acreditam, ou pelo que eles lutam, eu calaria minha boca e nunca mais criticaria emo algum. Em uma comunidade com 12 mil membros sabe quantos me responderam? Nenhum. O cara podia ter dito que eles lutam por cirurgia plástica grátis par todos os ornitorrincos, ou algo do tipo, eu respeitaria, mas o fato é que nem isso eles fazem.
Um tempo atrás vi uma foto de um protesto de emos mexicanos, uma das cenas mais bizarras que já vi, mas pensei bom, pelo menos estão protestando, mas o protesto era apenas para que os skin-heads parassem de bater neles. Saudades do John Wayne, pra meter bala nesses cucarachas.
Até o estoque de maquiagem eles estão monopolizando: é o laquê da mamãe, o estojinho de maquiagem da irmã, e tal, tudo pra ficar com o cabelo na frente do olho e com o olho exposto preto. Talvez seja esse o motivo de tanto choro: cabelo bate no olho =Lágrimas.
Estamos fadados a ser dominados pelas franjinhas. Preparem-se: chorar pode ser a única saída.
Ah, e não podia deixar passar: Emo é o contrário de Ome.

domingo, 23 de março de 2008

A Reunião

A caravana dos leprosos chegou no ponto de encontro quase uma hora antes. Medo de possíveis imprevistos que levassem a um atraso. Uma mão caída ali, uma orelha acolá. Genitais masculinos demandavam mais tempo pois ninguém ousava juntar. Seios também, pois todos queriam juntar.
Os magos chegaram em seguida, sem muito esforço. Abracadabra, temos uma carruagem para nos levar, alacazan, chegamos. Os alquimistas traziam chumbo para, caso precisassem de dinheiro, transformar em ouro. Ilusionistas traziam elefantes, apenas para terem algo para fazer desaparecer, acho. Algo de impacto. Pombos e coelhos tramavam, nos bastidores, um conluio para que os elefantes soubessem novamente quem é que manda.
Os políticos também vieram. Parlamentares, imperadores, ditadores, democratas, republicanos. E vereadores. Os lobistas garantiam que o circo iria pegar fogo. Nero viria. Só Saddam Hussein não veio. Problemas respiratórios. Dizem. Lula, Chavez, rei Juan Carlos. Todos vieram. Grande caixa dois. Por pouco tudo não teve que ser cancelado. Falta de verbas. Dizem.
Emos vinham chorando. Alguns por terem sido obrigados, por seus pais, a virem. Outro pela morte da mãe do Bambi. Outros por quererem ser o Bambi “temos tanto em comum”. Até a franja é parecida.
Merlin dá início à reunião, pedindo aos políticos isenção fiscal para que novos magos possam se estabelecer e viver razoavelmente pois, como sabem, são tempos difíceis. Lula afirma que pode ser difícil convencer o senado e a câmara. Chavez diz que isto é coisa dos mercadores sanguessugas de Satã. Estados unidos. Juan Carlos: Por que no te callas?
O líder dos leprosos toma a palavra, exige que os alquimistas desenvolvam um elixir da união da carne, ou dos pedaços de carne, ou dos membros soltos, ou algo do tipo. Merlin afirma que, com estes impostos, não dá. Os leprosos, revoltados, lançam seus dedos do meio contra os magos. Um dos dedos acerta o olho de um elefante, que corre assustado a esmo, esmagando dezenas de reunidos. Os emos choram. Merlin, revoltado com o choro desgarrado deles, os transforma em Bambis. Felicidade geral entre os emos. Lula tenta acalmar os ânimos, dizer que a economia vai bem, que o poder aquisitivo do povo nunca foi tão alto, que nunca houve um mercado de trabalho tão amplo, mas já é tarde, Nero já ateou fogo em tudo.
E viveram felizes para sempre. Dizem.