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quarta-feira, 7 de maio de 2008

Confissão

Padre, dai-me a vossa bênção pois pequei. E muito. Pequei muito pela gula. Sim, muito mesmo padre. Muito pela preguiça também. Muito, muito. Pela luxúria sempre que podia. Não que eu podia, que elas podiam. Eu sempre podia. Pela ira também. Um pouco menos por avareza e soberba, mas mesmo assim ainda tive minhas recaídas. Porém não é por estes pecados que venho me confessar padre, pois esse pecados eu já cansei de contar pro senhor (e pro Senhor). Acontece que, não bastassem esses, tem mais sete para me serem debitados na entrada do céu!
- Experimentos “moralmente dúbios” com células-tronco: Confesso padre, que vendi algumas dezenas de embriões para este tipo de pesquisa. Não me pergunte quem são meus fornecedores, padre. Reserva de mercado. Aliás, nem sei se isto é pecado, afinal não fui eu quem realizou os experimentos “moralmente dúbios”, foram meus clientes.
- Uso de drogas: Também padre. Sim, usei, e não me olhe com esse ar de reprovação. Eu juro que fui a um único show de pagode. Um só.
- Poluição do meio ambiente: Só um pouco. Um papelzinho aqui, uma latinha ali, um chiclete acolá. Mas também, será que as igrejas dão um destino ambientalmente adequado aos resíduos espalhados pelo chão das festas de seus respectivos padroeiros? Ah, padre, confessa vai... Tá bom, tá bom.
- Agravamento da injustiça social: Culpado padre. Nesse também tenho minha parcela de culpa. Tenho ficado cada vez mais pobre enquanto os outros ficam cada vez mais ricos. Sou um dos principais responsáveis por esse fenômeno.
- Riqueza excessiva: Esse pecado eu ainda pretendo cometer algum dia padre. O Papa senta em sua cadeira toda de ouro e eu é que sou pecador por querer alguns milhões de euros? Não, padre, não quero saber, não pagarei penitência por esse pecado. Padre, eu não quero brigar com o senhor, nem com o Senhor, mas puxa...
- Geração de pobreza: Culpado. Votei nas eleições passadas.
- Violações bioéticas como, por exemplo, controle de natalidade: Desculpe, padre, mas depois do trigésimo quarto filho fui obrigado a usar camisinha a cada 5 relações sexuais, pois sabe como é, escolas caras, pouco dinheiro, só 2 quartos na casa, etc. E quanto ao aborto, eu juro padre, que a menina caiu da escada sozinha.
Então, era isso. E a minha penitência? Só? Então tá, padre, mas você quer um garotinho de até que idade? Bom, não garanto, mas vou tentar...

domingo, 2 de março de 2008

Insensatez


E eis que aconteceu mais um atentado no Iraque (um dos noticiados, pois os de “pequeno porte” ocorrem quase que diariamente, mas a morte de três ou quatro pessoas parece não ter relevância suficiente para justificar o gasto de alguns segundos de programação) onde morreram16 pessoas. Quatro delas eram soldados americanos, enquanto as outras 12 eram civis iraquianos. Este é o saldo da derrocada do império de Saddam, ou Sattam, como bush certa vez o rotulou, talvez tentando passar adiante o próprio rótulo.
É nítido que a principal causa dessa guerra foi a insensatez. A insensatez motivacional da invasão americana no Iraque, que foi iniciada por conta de bombas inexistentes, religiões divergentes, petróleo aos montes e democracia imposta, se é que cabe o termo. A insensatez suicida de um povo cultural e religiosamente humilhado, o que o leva a revidar com a sutileza de uma bomba amarrada à cintura. Este povo, me referindo agora aos muçulmanos em todo o mundo, além de sofrer com o preconceito de todo o ocidente, ainda sofre preconceito da pessoa à qual é atribuída a função de zelar pela paz: o Papa.
É dele a frase que foi a mais insensata do ano passado, talvez da década: “Os muçulmanos são o mal do mundo”. Sua Santidade deveria ser o membro mais sensato da igreja! E talvez seja, pois a sensatez nunca foi uma das características mais marcantes da igreja. A igreja vem sendo insensata desde a inquisição, passando pelo período de caça às bruxas, pela crucificação de gênios como se fossem hereges, até a insensata teimosia de hoje em continuar transformando progresso em pecado. Camisinha, pesquisa com células tronco, aborto, todas estas coisas que são condenadas quando deveriam ser discutidas para que se encontrasse um denominador comum da melhor forma de usá-las. Mas é claro que ninguém é sensato o suficiente para faze-lo.
Enfim, a insensatez do ocidente ao oriente, do rico ao pobre, da igreja à ciência, vem deteriorando as relações humanas de tal maneira, que a intolerância se apodera da mente dos líderes mundiais em geral, impedindo-os assim de pensar com clareza. O inconsciente coletivo comanda as ações de todos os lados, o que pode nos levar a um futuro atentado de proporções catastróficas. Que tal Bin Laden com uma Bomba H nas mãos? O Papa pensaria duas vezes antes de denegrir publicamente a religião alheia e Bush pensaria duas vezes antes de derrubar estátuas.