quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

When you're facing a loaded gun



O pluri-bandidão Frank Costello, personagem de Jack Nicholson em Os Infiltrados, de Martin Scorsese, diz no começo do filme o seguinte:
“A igreja quer você sempre no lugar que eles quiserem. Ajoelhe, levante, ajoelhe, levante. Quando eu era menino lá eles diziam que ou você virava um policial ou virava um bandido. Eu digo: quando se está cara-a-cara com uma arma carregada, qual a diferença?”.
Este trecho da fala dele diz muito sobre muita coisa.
Primeiro, a igreja... não, melhor, AS igrejas querem, mesmo, que sejamos seus cordeiros. Pague o dízimo, coma a hóstia, dê 10% do seu salário, vire tal hora e tal hora para Meca, não foda, não beba, não viva. E não blasfeme.
Acho que todos os leitores aqui já foram uma missa e sabem que a história do ajoelhe-levante também é verdade. Até me afastar da igreja sofri muito com isso. Não entendo qual é o sentido disso. Penitência? Deus não nos ouve sentados?
Mais uma coisa, o fato da igreja sempre taxar o que diz como uma verdade absoluta (repetindo que me refiro às igrejas em geral). Deus criou Adão e Eva e nenhuma outra teoria a respeito do surgimento do homem é aceita. A camisinha é algo ruim, e nenhuma doença venérea ou aumento populacional desordenado justifica seu uso. Agora pode ser você for prostituta, mas não seria a prostituição um pecado também?
Mas o ponto principal do trecho citado é a que supõe que a situação faz a pessoa. Desde o nascimento até a morte. Quem pode julgar uma gestante que aborta o filho por ter sido fruto de um estupro, ou por não ter a mínima condição de criá-lo? Quem não entende alguém que cai no vício das drogas por causa de um pai alcoólatra e uma mãe que apanha diariamente? É a seqüência lógica: mente conturbada + maconha com os amigos + cocaína pra substituir a maconha que já não faz mais efeito + Craque pra substituir a cocaína que é muito cara = morte ou cadeia. E você, cara-a-cara com uma arma carregada? O que faria?
Diante de certas situações é que às vezes conhecemos nossa própria natureza, a verdadeira. Machões com medo se borram, borra-botinhas viram heróis. E assim vamos vivendo. Esperando que nosso ambiente nos molde e, por muitas vezes, tome por nós as decisões, por nos deixar sem opção para tomá-las.
E termino este texto com outra frase do Costello:
“Não quero ser um produto do meu ambiente. Quero que meu ambiente seja produto de mim”.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Let´s Rock




Meu amigo Fá ( http://twitter.com/#!/fa_trauma ) solicitou que eu fizesse a análise do disco Guilty Beat, da banda Ócio. Bueno.
Antes de tudo fui buscar algumas informações a respeito da banda. Os caras são capixabas, com exceção da baterista neozelandesa Jaana Mae. Os outros dois são o baixista Rod Larica ( que sobrenome, heim? ) e o guitarrista, vocalista e aparentemente cérebro do grupo (sem ofensa aos outros dois) Dan Furlan ( se esta impressão estiver errada, por favor, me corrijam).
O álbum é de uma simplicidade e beleza cativantes. Típico exemplo em que a técnica musical é, muito convenientemente neste caso, ofuscada pela criatividade e feeling musicais, o que, nas situações certas, é perfeitamente aceitável.
A loirinha Jaana canta com uma suavidade que passa a dose certa de calma em meio aos vocais nervosos de um dos dois vocalistas, sinceramente não sei se o baixista ou o guitarrista, mas que canta com a pegada de um Julian Casablanca.
A grande sacada, na verdade, é o clássico trio guita, baixo e batera. Os três tocando músicas concisas e diretas, sem floreios, só bom e velho rock. Alguma influência Grunge e de Indie rock são visíveis, mas sem que faça o som perder sua personalidade e originalidade.
Se precisasse destacar uma música destacaria “Overmotivated”, faixa 3 do álbum. Mas todas têm o mesmo nível de qualidade, pode confiar.
Resumindo, junkie rock pra se ouvir entornando uma bela cerveja bem gelada, sem compromisso. Vinte e poucos minutos de música boa.
Recomendo.

Segue abaixo o link dos caras no myspace:
http://www.myspace.com/ocioband
Cliquem e tirem suas próprias conclusões.
Hasta luego.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Roqueiros que sabem (ou tentam) sambar



Em meu último post neste blog (há mais de dois anos), discorri sobre como devemos ver a música sem preconceito, com o ouvido o mais imparcial possível, para que possamos apreciá-la em sua plenitude. Bueno.
Depois daquele texto algumas pessoas me abordaram contando suas “saídas do armário” musicais. Um admitiu que gostava de Exaltasamba e que se esbaldava num “pagodão”. Outro declarou-se um fã incondicional de Teodoro e Sampaio. Outro, Em um show com Os Chefes, reclamou que o repertório dos caras estava muito underground, cara este que era até uma referência, um espelho musical pra mim.
É lógico que o intuito principal do texto não era esse. É lógico que, admito, me decepcionei um pouco com esses camaradas que considerava a nata da “roqueirice” porra louca, alucinados de carteirinha. Mas, por que foi necessário que alguém se manifestasse primeiro para, só assim, os outros levantassem a bandeira do eu gosto e pronto?
Eu digo: a necessidade de ser aceito. Vivíamos num grupo fechado onde pagodeiro (leia-se PAGODEIRO!!!) era a pior ofensa que existia e Qualquer xingamento aos ícones do rock era uma blasfêmia (engraçado uma palavra que termina com fêmia – sei que é fêmea – ser visto como algo ruim, sei lá) punida com fogueira, maracujá Joinville e petelecos na orelha.
Às vezes é bom saber que não somos os únicos diferentes. Saber que temos defeitos, maluquices e gostos excêntricos, mas os outros também os têm. Alguns gostam de sexo com cabritos, outros de Cine. Sei lá. Mesmo internamente querendo matar esses coloridos, sei que devo respeitá-los. Não seria eu tão idiota quanto quando, na adolescência, rasgava um jeans recém comprado nos joelhos e considerava isso uma forma de rebeldia? Não seria eu o mais imbecil ao colocar cadarços coloridos em meu All Star? Não seria eu um pulha ao passar a adolescência inteira assistindo futebol escondido para que meus amigos não soubessem que tinha este prazer fútil e vergonhoso para alguém que lia Nietzsche?
Desafio qualquer leitor a se declarar sem um gosto vergonhoso que seja. De fio terra, passando por funk carioca até pôsteres do Fiuk na parede.
Então, deixemos que sambem os roqueiros. Deixemos que batam cabeça as funkeiras (elas que já batem as bundas). E que em cada mansão ou barraco em que haja música tocando, haja alguém ouvindo. Talvez dançando. Pois, como dizia o tio Nietzsche: “E aqueles que dançavam foram julgados insanos por aqueles que não podiam ouvir a música”.
Ah, e falando em gostos vergonhosos aqui vão alguns meus: gosto da pop bandinha Garbage, odeio The Clash. Prefiro ler Cláudia e Nova a ler Men`s Health. Prefiro café preto beeeem forte a qualquer café com leite, capuccino ou semelhantes. Tirando uma ou outra música, acho Angra, Iron Maiden e Halloween chatos. É isso.

Algum gosto duvidoso que gostem de compartilhar? Alguma crítica ao texto? Comentem ali embaixo. Prometo que respondo, a menos que fique sem argumentos, hehe.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Progresso?



Caros leitores, de LM News, desculpem a demora por uma nova postagem, mas é que um processo de mudança ocorreu em minha vida, emprego novo, casa nova, vida de semi-casado agora, enfim vida nova. Obrigado pela paciência. So, let's go.


Ironias da vida (grande frasezinha clichê!).
Quem me conhece sabe que sempre fui um crítico ferrenho de qualquer coisa “criada” pelo pop. Pois bem. Tem dois álbuns que venho ouvindo com muita freqüência hoje: o álbum homônimo da Mallu Magalhães e o King of Pop, do Michael Jackson.
Coisa não?
A esses dois fui obrigado a me render. Além do som folk (danem-se os que chamam de indie-rock) bem trabalhado que faz, a voz da Mallu é apaixonante. Sem contar as influências folk dela que coincidem com as minhas, como Dylan e os primeiros álbuns do Bowie. Além de ter sido muito bem recomendado por pessoas que manjam do assunto, como Marcelo Camelo. J1 pode ser meio manjada, mas é uma música quase perfeita. Sem exageros e sem faltas, como o resto do álbum.
E o Pack Man das criancinhas? O tio Jackson é outro produto do pop, mas não como essas merdas tipo Backstreet Boys e Five, ou mesmo essas apimentadinhas tipo Britney Spears e Pussycat Dolls. Não. O cara tem talento. Além da indiscutível precisão como dançarino, o cara canta muito e tem um instrumental muito bem trabalhado e agradável aos ouvidos. Black Or White dá uma energia fenomenal quando chega aos ouvidos. Sem contar as guitarras animais de Eddie Van Halen nas músicas do disco Thriller. Esqueçam as maluquices dele, concentrem-se nas músicas.
E são dois opostos. Mallu Magalhães iniciando a carreira, Michael com ela praticamente encerada. Ele com influências dance, ela folk e rock. Se bem que ele talvez gostasse dela se a conhecesse, pois tem apenas 16 aninhos.
Que ela continue assim e siga os passos de Joss Stone, que também começou com 16 aninhos e hoje, com 21, é esse fenômeno do Pop-jazz no mundo todo (e também canta muito).
E ele, bom, ele já fez o que tinha que fazer. Agora é só festa, processos e Neverland.

Agora, terminados os baba-ovismos, volto ao assunto.
O que faz uma pessoa musicalmente tão radical como eu era ouvir essas coisas hoje? Quatro ou cinco anos atrás eu jogaria um CD de qualquer um destes dois no lixo. Quebrados pra não cair em tentação. E o pior: nem os ouviria. Teria náuseas ao ouvir alguém falr de Coldplay.
Será que essa mudança se trata de uma evolução ou regressão? Uma transição antropofágica que nos leva a devorar cada vez mais novos artistas como pacotes de Doritos?
Esse novo leque musical que surge quando a mente se abre é uma coisa boa? Lembro de quando minha mãe ouvia Led Zeppelin e Pink Floyd. Hoje o que mais fica dentro do som dela é Bruno e Marrone e Victor e Léo. Será esse o meu destino também?
O engraçado é que me sinto cada vez mais bem resolvido musicalmente. Sei o que gosto de ouvir mas perdi o medo de ouvir coisas novas. Isso sei que é um ponto positivo.
Acho que uma cabeça aberta é um sinal de evolução mesmo. Então, que continue assim o meu processo de crescimento.

Ah, se alguém conhecer algo novo e que valha a pena escutar, pode recomendar. Tô ouvindo qualquer coisa.